
A rede hospitalar de Campo Grande enfrenta um cenário crítico, com 213 pacientes aguardando vagas em hospitais. O principal fator para a superlotação é a falta de leitos em todo o Mato Grosso do Sul, agravada pela alta demanda sazonal e pela lotação da Santa Casa, referência no atendimento de urgência e emergência na capital.
Superlotação atinge UPAs
Entre os pacientes na fila de espera, 195 são adultos (136 de Campo Grande e 59 do interior) e 18 são crianças (13 da capital e cinco do interior). Grande parte desses pacientes está sendo atendida em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que, segundo a prefeitura, estão sendo estruturadas como mini hospitais para suprir a falta de vagas.
Déficit de leitos preocupa autoridades
O problema estrutural da saúde pública no estado se reflete no número reduzido de leitos hospitalares. Mato Grosso do Sul conta com apenas 1 leito para cada 607 habitantes, muito abaixo da recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estipula entre 3 e 5 leitos para cada 1.000 habitantes.
De acordo com o Ministério da Saúde, há 6.690 leitos em todo o estado, sendo 4.556 destinados ao atendimento pelo SUS. Em Campo Grande, a prefeitura possui cerca de 1,3 mil leitos contratualizados com a rede particular, mas todos estão ocupados, aumentando ainda mais a crise no sistema de saúde.
Medidas emergenciais são adotadas
Diante da gravidade da situação, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) realizou nesta quarta-feira (02) a primeira reunião do Centro de Operações de Emergências de Saúde Pública (COE) de 2025. O objetivo foi definir estratégias para enfrentar o aumento de casos graves de doenças respiratórias e a superlotação das unidades de saúde.
Entre as medidas anunciadas estão:
- Reforço nas equipes volantes, que passaram a ser 30 para atender os momentos mais críticos nas UPAs;
- Análise rigorosa dos casos que aguardam vagas, priorizando internações para os casos mais graves e liberando os demais para tratamento domiciliar;
- Instalação de câmeras de monitoramento nas unidades de saúde, com acesso em tempo real pela Guarda Municipal para reforçar a segurança dos profissionais e pacientes;
- Criação de um aplicativo que permitirá acionar equipes de segurança de forma mais ágil em caso de incidentes nas unidades.
Judicialização por leitos cresce
Com a falta de leitos na rede pública e privada, cresce o número de pedidos na justiça para garantir internações. No entanto, a prefeitura alerta que não há vagas disponíveis em Campo Grande, nem mesmo na rede particular, tornando a judicialização um desafio ainda maior para o sistema de saúde.
*As informações são do portal Midiamax